sábado, 2 de setembro de 2006

Promessas não cumpridas

Você deve estar pensando que eu vou escrever sobre eleições ou sobre as mentiras que os candidatos contam descaradamente na propaganda eleitoral, ou ainda sobre as opções (ou falta delas) que nos dão para escolher a quem delegar poderes... Não é nada disso. Embora, realmente, seja um absurdo a gente ter que votar em qualquer desses candidatos que se apresentam aí. Lamentavel. Mas não é isso não. Quero contar nesse post algo pessoal. De promessas que me foram feitas e que não foram cumpridas.

Eu tinha uns três anos, mas parecia uma criança de cinco com retardo mental, quando me prometeram uma roupa nova da Mulher Maravilha se eu largasse a chupeta. É... aos três anos eu era fã da heróina dos quadrinhos apesar de não saber ler ainda e só assistia à série de tv devidamente paramentada. Mas a minha roupa tinha sido herdada de outra criança e, portanto, já estava velhinha. A promessa de uma roupa nova me encheu os olhos. Imediatamente, me dirigi à lixeira de casa e joguei a chupeta fora. Sem dó, nem piedade.

Durante muitos dias eu perguntei à tia que me havia feito a promessa onde estava minha roupa nova, mas de nada adiantou. Ela me enrolou, me enrolou... até que eu parei de cobrar e ficou por isso mesmo. Ainda bem que eu só joguei a chupeta fora. Imaginem o drama que teria sido se tivesse sumido com a roupa antiga também. Funcionou para me fazer largar a chupeta, mas deixou marcas até hoje. Nunca me esqueci disso.

Mas não pense que pára por aí... Que nada! Aos oito anos, consegui driblar a versão bicho-do-mato da minha timidez e me candidatei a participar do Festival da Canção Brasileira, concurso que todo ano havia na minha escola. Acontecia na festa de fim de ano e os vencedores ganhavam 3 LPs (sim... é isso mesmo) dos artistas ou bandas que quisessem. Lá fui eu. Escolhi uma música cantada pela Verônica Sabino. Difícil, música de adulto, sucesso no remake de Selva de Pedra, se não me engano. Semanas de ensaio, várias etapas classificatórias e não é que fiquei entre os finalistas.

No dia da apresentação, coloquei minha melhor roupa, caprichei no cabelo, tudo bem ao estilo anos 80. Lembro muito bem do operador do som me entregar o microfone e me dar uma dica de como segurá-lo para que a voz saísse sempre clara. Subi lá, cantei, mas não lembro de nada. Ou quase. Só lembro de ter visto meu pai numa cadeira me assistindo. Todas as outras crianças passaram. Em seguida, foi feito um intervalo para que o juri escolhesse o vencedor. Algum tempo depois nos reuniram atrás do palco para anunciar os primeiros lugares e, pasmem, eu fiquei em primeiro. Meu pai chorou, claro. Afinal, eu tinha que ter herdado essa facilidade para chorar de alguém. E me pediram pra cantar novamente. Aí, confesso, eu já estava emocionada também pois nunca imaginei que pudesse ganhar o concurso e nem cantei tão bem assim.

E o prêmio? você me pergunta. Pois é. Na segunda-feira seguinte, uma semana antes das aulas terminarem, eu deixei na secretaria a minha listinha com os discos que eu queria. E, apesar de ter ido lá várias vezes antes e depois das férias, até hoje não recebi nada.

Bom... hoje tenho quase 30 e uma lista enorme de outras promessas que não foram cumpridas, inclusive eleitorais, mas fazer o quê? Mas, pelo menos no que se refere às experiências aqui compartilhadas, aprendi a lição: se quiser uma fantasia nova, faça você mesma. E concurso de música, nunca mais!

4 comentários:

Tim disse...

ô gente!!!
Eu vou cumprir todas as promessas que te fiz e que ainda farei, especialmente a que te fiz a um tempo atrás de te amar para todo o sempre!!!

Você é o amor da minha vida!!!

Anônimo disse...

ai, que maldade... ahahaha; como alguém pôde fazer isso com minha amiga, uma pessoa tão boa? Não é à toa que você virou jornalista, né? Com tantos traumas. ahahahahaha. Eu te entendo. Também já passei por traumas horríveis. Um deles foi não ganhar a mochila da company na adolescência. Um outro foi não ganhar a boneca meu bebê, aquela que parecia um bebê de verdade, com um tiquinho de cabelo na testa, lembra? Pra você ver. Acabei jornalista também. Beijoooosss.

Anônimo disse...

Reapareceu a margarida no blog! Finalmente, mais um post!

Fadinha, se eu fosse você denunciaria os diretores desse colégio ao MEC! Onde já se viu? Vêm para o país dos outros trabalhar com crianças e não sabem que têm de cumprir as promessas feitas a elas? Denúncia no MEC, ora veja!

Fadua disse...

Ô geeeente!
Que liiiindo, baby!
Te amo tb!!