domingo, 11 de março de 2007

Crianças desesperadas

Crianças chorando desesperadamente, olhando a rua pela janela do terceiro andar, esperando a mãe fujona voltar. Esta era a cena que por pouco não foi presenciada pelos vizinhos numa noite de sábado. Amanda, casada e mãe de dois filhos, de 4 e 8 anos, foi jantar com um casal de amigos numa creperia. Carlos, o marido, estava de plantão e as crianças ficaram com os avós em casa.

Lá pelas tantas, toca o celular da amiga de Amanda. Antes de atender, a amiga olha o número e diz:

- É seu marido. Atende você - passando o celular para Amanda.

- Alô, diz ela. (silêncio) Mas eu não disse nada disso - diz assustada. (Novo silêncio)- Ele sabe que não é nada disso. (Mais um silêncio). Tá bom vou ligar pra ele - e desliga bufando.

Diante dos pontos de interrogação que tomaram conta da mesa, Amanda explica:

- Carlos tá dizendo que o Marquinhos ligou pra ele, no trabalho, chorando, dizendo que eu saí de casa e que disse que não ia mais voltar.

Rostos perplexos.

- Deixa eu ligar pra casa primeiro, depois eu conto.

***

Depois de tranqüilizar a criança, Amanda se diverte contando a história:

- Hoje de tarde eu estava com as crianças no quarto e falei, em tom de brincadeira, que eu ia embora de casa. Mas eles perceberam que era brincadeira. Tanto que o Marquinhos disse: "Eu sei que você tá brincando, mãe". A Dani ainda me perguntou: "Na sua casa nova tem piscina?". E todo mundo riu. Eles sabiam que era brincadeira. Mas agora que eu saí pra comer, o Marquinhos deve ter lembrado do papo e ficado com medo que eu não voltasse. Mas, pronto. Tá tudo bem. Falei com ele pelo telefone e ele não me pareceu abalado. Disse que contou pro pai que eu tinha dito isso de brincadeira. Acho que o Carlos exagerou!

***

Na dúvida, o casal de amigos acompanhou Amanda até a porta de casa. Para ver se as crianças a estavam esperando desesperadas na janela do quarto e para evitar que ela realmente resolvesse fugir de casa.

Não tinha ninguém na janela. E Amanda não tentou fugir.

3 comentários:

Anônimo disse...

Deixe-me ver se eu entendi? Mamãe e papai: A e C; filhinho: M; filhinha: D. Acho que eu conheço essa família!
Ter uma mãe desnorteada faz a criança ficar assim! hahahaha!

Anônimo disse...

Nossa, você adora me deixar com um gostinho de "quero mais". Adorei. Entra lá no Beleleo também. Fiz um poema novo. Ainda estou te devendo as novidades. Aguarde. Beijocas.

Camila disse...

Hilário!
Comecei a ler o texto totalmente tensa... e agora, só rindo.
Vida real é assim mesmo: repleta de mal-entendidos.
Achei ótimo. :)