Quem me conhece sabe que eu não gosto de carnaval. E sabe também que se dependesse de mim, eu passaria os quatros dias de folia em retiro espiritual num lugar perdido no mapa. Mas, vida de jornalista não nos permite esse tipo de luxo: gostar ou não gostar de algo. Se estiver escalada, tem que fazer. E, se não há outra solução, o jeito é curtir.
Foi o que Luisa e eu fizemos na última quinta-feira. Passamos a tarde e a noite na Cidade do Samba apurando e gravando matéria. Chegamos às 15h e saímos por volta das 23h. Passamos calor - ô lugarzinho infernal de quente -, fome e sede. Em compensação, descobri que meu protetor solar é fantástico. Do jeito que andamos debaixo de sol, achei que ia voltar para casa um camarão. Mas o protetor segurou a onda. Ainda bem!
Visitamos oficinas, barracões, entrevistamos pessoas, gravamos muitas imagens, fizemos várias fotos... e depois disso tudo, a pauta ainda não tinha acabado. Pausa para a segunda missão: ficar para o evento que acontece toda quinta à noite, um espetáculo musical que tem direção geral de Carlinhos de Jesus. É um show para turistas, que mostra boa música brasileira, de maneira alegre. E um pouco do que é feito o carnaval na cidade.
Enquanto esperávamos o novo cameraman que nos acompanharia nessa empreitada - o primeiro desistiu no meio do caminho pois ainda tinha belas mulatas para editar -, assistimos e gravamos o ensaio do espetáculo. A essa altura, quase 19h, já estávamos mortas de sede. O Bob´s parecia estar lá para nos salvar. Luisa queria uma Coca Light e eu, uma água. Pedidos modestos. Que nada... Coca, só light lemon, e Luisa não gosta. Água, só com gás, e eu odeio. Mas, como quando não tem tu, vai tu mesmo, compramos duas águas com gás. Luisa tomou a dela todinha, bem rápido, como remédio. Eu não consegui.
O cameraman chegou bem na hora que começaram a servir os canapés... Mas, nada de bebidas para nós. Todas as mesas tinham um balde enorme de gelo com latinhas de refrigerantes ou garrafinhas de água dentro. Só na nossa mesa é que não havia nada. Parecia que todos os funcionários haviam recebido ordens expressas para nos deixar a seco.
A hora do show se aproximava e lá fomos nós gravar os camarins. Pelo menos, pudemos aproveitar o ar-condicionado. Depois do tour de bastidores, tivemos que esperar mais um pouco até que o espetáculo começasse. Sentamos, desconsolados, num degrau e ficamos revendo algumas imagens e fotos, para avaliar o material.
Já estávamos exaustas, mas o bom humor não se perde assim tão fácil:
- Luisa, já sei! Eu seguro o garçon, você rouba a bandeja de refri dele e sai correndo. Depois a gente divide.
ou então:
- Quem quer que fevereiro acabe logo, levanta a mão! - diz Luisa, levantando a sua própria.
- Eu, eu! - respondo, levantando as duas mãos.
- E quem quer que o carnaval deixe de existir? - pergunta
- Eu, eu!!! - respondo!
ou ainda:
- Luisa!
- Oi!
- Você não sabe da maior?
- O quê?
- Eu não bati o branco antes de filmar o ensaio - digo, apavorada!
... cinco minutos depois:
- Chiii! Você não sabe do pior?
- O quê?
- Também esqueci de regular o som!
- Ãiãiãi! - disse Luisa, me imitando!
- Mas tudo bem. Eu vou colocar a culpa em você mesmo! - digo.
- Como assim?
- Ué... eu já gravei outras vezes, não posso mais cometer esses esquecimentos. Já você... ainda não filmou nada, ainda pode errar!
(mas eu não coloquei a culpa em ninguém não... )
E não é que saímos de lá sem beber um copo d´água? Verdade!
Mas o que tiramos de fotos engraçadas... no meio de fantasias, com adereços na cabeça, ao lado de um integrante da bateria.
Apesar do cansaço, nos divertimos muito!
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