Pausa nos preparativos para uma observação urbana. Dia desses, entro no ônibus para ir ao trabalho, e pego a seguinte conversa, aos berros, entre o motorista e o trocador:
- Mas o pior acidente que eu presenciei, foi como trocador - diz o motorista.
- É mesmo? Como foi? - pergunta o o trocador.
- Um carro avançou o sinal lá em Inhaúma, num lugar onde tem muito assalto, e o ônibus bateu. Dentro estavam, um pai e dois filhos. O pai morreu na hora. Um dos filhos foi internado e morreu mais tarde e o outro só teve ferimentos leves.
- É mesmo? Morreu na hora, é?
- É. Tu precisava ver o estado que o homem ficou. Cabeça aberta...
- É, é? Cabeça aberta? - repetia o trocador.
O motorista descreveu tudo minuciosamente e o trocador repetiu cada palavra para ter certeza de que estava acompanhando bem a história, mas vou parar por aqui. Esse tipo de conversa é que nem falar de acidente áereo quando se está para pegar um avião. Meio inapropriado, não? O pior é que os passageiros não tinham outra opção a não ser ouvir a história. Quer dizer, quem tava com mp3 ou ipod teve. Eu não tive. E ouvi tudo. Até eles resolverem mudar de assunto.
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