quarta-feira, 8 de fevereiro de 2006

Literatura mulherzinha

Soa preconceituoso, eu sei, mas digo isso com todo o carinho. 'Mulherzinha' no sentido mais 'fofo' da palavra. Embora há alguns anos isso não fosse assim - acredite - ultimamente tenho me divertido muito com esse tipo de literatura. Antes, nem olhava para um livro desses nas prateleiras das livrarias. Entrar com um deles em casa, nem pensar. Que dirá ler!

Mas a gente vai crescendo e ficando mais bobo (ou seria menos?). Outro dia, uma pré-adolescente de 11 anos me confidenciou que não havia gostado muito da mochila que lhe tinham dado de presente porque esta trazia um desenho da Minnie estampado. Eu pensei em voz alta: "Poxa, e quando você tiver fazendo 30 vai andar feliz da vida com uma camisa da Hello kitty por aí. Vai fazer coleção". Mas é isso mesmo. Quando criança, tão madura para não usar ou fazer determinadas coisas... e agora, tão madura para se permitir fazer de tudo, por mais bobo que pareça ser.

Foi o que aconteceu comigo. Quando adolescente fazia pose de intelectual. Tem uma história clássica. Minha mãe me pedia pra ajudar a lavar a louça ou varrer a casa e eu me virava, com um livro debaixo do braço, e lançada a seguinte pérola: "Mãe, eu sou intelectual". E isso bastava. O pior é que eu nem era...

Enfim, anos depois, mesmo sabendo que era tudo pose, não me permitia uma leitura que não fosse de uma grande obra da literatura universal ou de algum importante autor da atualidade. Muito bem. Até que percebi que não dá pra ser profundo sempre. Aliás, já viu coisa mais chata?

Ainda mais depois que você começa a trabalhar com absurdas histórias do mundo real. Vai querer ler coisas densas e profundas depois de ouvir horas (eu disse horasssss, muitas delas) de depoimento do Roberto Jefferson numa CPI? Não há quem agüente. Pegando carona na frase de um amigo: "É preciso subir à superfície de vez em quando". Concordo.

Mas também não dá pra exagerar, não é mesmo? Acho que encontrei um meio termo saudável. Leio três livros de autores proeminentes (brigada, baby) e um, que normalmente é do tamanho dos outros três juntos (como escrever abobrinha é fácil, né?), do tipo 'literatura mulherzinha'. Esse ano, até agora, li: "As intermitências da Morte", de José Saramago; "Mandrake, a Bíblia e a bengala", de Rubem Fonseca, e "Relato de um náufrago", de Gabriel Garcia Marquez. E, para descontrair, estou lendo: "Becky Bloom - Delírios de consumo na 5ª Avenida", de Shophie Kinsella, que, para sua informação, é o segundo da série. E é claro que o primeiro eu já li. Parece óbvio também que pretendo ler o terceiro. Agora, esses livros todos não só entram aqui em casa, como têm um pedaço da estante só pra eles.

;-)

3 comentários:

Anônimo disse...

Eu também li as Intermitências...
Gostei bastante.
Você é igual ao Marco, é? Lê 3,4 livros ao mesmo tempo?

Fadua disse...

Eu gostei muito de "Intermintências...". O final principalmente. Mas eu não costumo ler muitos livros ao mesmo tempo, não. Com minha memória eu enlouqueceria mais rápido. No máximo dois. Mas é raro.

Fadua disse...

Ah! descobri outro dia que já tem um quarto livro da série da Becky Bloom. Mas acho que ainda não foi lançado aqui.