É duro sair todo dia no mesmo horário para malhar e ao se despedir do seu pai ouvir também todo dia no mesmo horário aquele curioso "Onde você vai?" dele. E nem estou reclamando dele estar querendo controlar minha vida sabendo onde vou e com quem. Já passamos dessa fase, embora ele ainda goste de ser informado. Só não acho que seja possível que ele ainda não tenha gravado que naquele horário, todos os dias, eu saio pra malhar. Já virou folclóre, claro. Para aliviar a barra dele, afinal é um senhor tão bonzinho, ele não é o único que repete a mesma pergunta ou recomendação com alguma freqüência.
Ainda nos domínios do meu lar doce lar, tenho que ouvir diariamente minha mãe perguntar pelo menos duas vezes por dia - uma ao acordar e outra antes de sair para o trabalho - "Quer um cafézinho?". Só me lembro de ter recusado uma única vez. Foi num dia de muito calor - há pouco tempo - que só de pensar em beber algo que não estivesse gelado já me fazia transpirar loucamente. Mas ela sempre pergunta. Por via das dúvidas, né?
Recentemente me dei conta que ao chegar mais cedo no trabalho, o que acontece dois dias por semana já há alguns meses, o colega com quem divido o computador sempre faz cara de espanto e pergunta: "Ué Matuck! Chegou mais cedo hoje?". Tudo bem... É bem verdade que durante anos eu só trabalhei no cargo de
vampira, chegando quando o sol já estava se pondo. O que me torno praticamente um ser de hábitos noturnos. É compreensível.
Sabe outra pergunta que eu ouço várias vezes por dia? "Vamos recapitular?". Acho que nem preciso dizer em que situação isso acontece, preciso? Ainda bem que eu anoto todas as recomendações que minha pilhadíssima chefe vai me fazendo ao longo do dia de trabalho. Acho que assim nós duas ficamos mais tranqüilas. Ela, que por ser elétrica deve enlouquecer com a minha calma. E, eu, com minha calma - aquela mesma que às vezes some e me deixa com vontade de sair correndo e gritando -, não enlouqueço com os 220 volts dela. Tudo está sob controle desde que esteja anotado no papel. Mesmo que tenhamos que recapitular na hora dela ir embora. Afinal, eu ainda sou a última a fechar 'o lojinha'.
Ah! Lembrei de outra frase recorrente. "Cuidado quando atravessar a rua!". Conselho de papai sempre que vou sair. Ela vale também para quando estou a 1.740 quilômetros de distância. Logo ali em Porto Alegre. Nesse caso, a recomendação é dada por telefone mesmo. Vai saber, não é mesmo? É sempre bom olhar para os dois lados antes de atravessar. Afinal, pode vir uma bicicleta desgovernada do lado contrário e...
Mas a melhor de todas - e para esta não há reclamações -, é ouvir "Eu te amo" de quem você ama todos os dias! Diz aí se não é?
Um comentário:
Aiiiii, que fofa. Estou adorando as declarações de amor, viu? Tão bom te ver feliz. O amor está te deixando inspirada. Seus textos estão ótimos. To amando!!!
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