quinta-feira, 11 de janeiro de 2007

Retomando a escrivinhança

Segunda semana do ano. Já é tempo de retomar a 'escrivinhança' - como diz uma grande amiga - do blog. Mas não pense que esta é uma resolução de ano novo. Ainda não fiz a lista, não. Falta tempo mesmo.

Bem... quero começar com duas cenas do cotidiano.

Cena 1

9h de terça-feira. Ônibus da linha 464 praticamente vazio. Escolho um lugar à janela, do lado esquerdo, atrás de uma senhora loura. Antes de começar a lutar contra o sono que sempre bate no caminho para o trabalho, percebo que a mulher segura um espelho. Não era apenas um espelho. Era uma escova de cabelos com um espelho retangular no cabo. Pela situação dos cabelos, em ondas volumosas, a escova já havia sido usada recentemente.

Do trajeto de Copacabana até a Avenida Mem de Sá, no Centro, vi a mulher passar base (por longos minutos) em todo o rosto e pescoço, máscara para cílios (por diversas vezes em cada olho), lápis e batom. E deve ter rolado uma sombra também. Eu é que não consegui ver.

Tudo bem que o trajeto, nesse horário, é feito em trinta, quarenta minutos. Mas, pera lá! Quarenta minutos se maquiando no ônibus? Fora os minutos anteriores à minha chegada no veículo, que ninguém me garante que tenham sido poucos.

Fato é que eu não conseguia ver o resultado daquele trabalho feito com tanto esmeiro apesar dos trancos que o motorista fazia questão de providenciar sem aviso prévio. Não sei como ela não teve que recomeçar algumas vezes. E se ela não tivesse algodão e removedor de maquiagem na bolsa? Devia ter... afinal, aquela senhora deve ter trazido o banheiro inteiro na bolsa.

Me segurei a viagem inteira só pra ver o resultado quando ela se levantasse para descer. Que nada. Meu ponto chegou e ela nem tchum. No que eu levantei, percebi que a mulher também tinha chegado ao seu destino. Pensei comigo: "Será que ela trabalha lá? Só falta ser alguém que eu conheço". Não trabalha, e portanto, não conheço.

Quando já estava na rua, aproveitei para dar uma viradinha discreta e olhar pro rosto da senhora. Em cinco segundos? Nem velha, nem nova. Bonitona. Ligeiramente bronzeada pela base. Até que fez um bom trabalho.

O que importa é que ela conseguiu se aprontar a tempo de ir trabalhar.


Cena 2

21h de quarta-feira. Em um restaurante em Copacabana. Três pares, cada par em uma mesa. Todos bem próximos uns dos outros, o que significa que as conversas podiam ser ouvidas sem muito esforço. Ou, pelo menos parte delas.

Um jovem casal aproveitava para se ver depois do trabalho. O outro, de mais idade, comemorava o aniversário da mulher. E o terceiro par, formado por dois amigos, parecia ser um reencontro de ano novo.

Não preciso dizer que eu fazia parte do jovem casal que conversava e jantava depois do trabalho. E nem é necessário lembrar que eu sou do tipo que não resiste e acaba ouvindo a conversa alheia. Descobri que o gaúcho tá pegando esse hábito também. Mas acho que ele ainda precisa se aprimorar. Ou então eu estou mesmo ficando surda. Então lá vai a mesma conversa, em duas versões.

Versão carioca

Rapaz 1: A festa tava ótima. Eu tava lá conversando com ele, a gente tava se entendendo super bem... mas, não tinha como rolar nada. Meu ex-namorado estava na festa e o clima tava estranho. Lá pelas tantas, não teve jeito, tipo que apresentar um ao outro. Um horror.

Rapaz2: Ai, que chato.

Rapaz1: Pois é... Aí, acabou que não deu em nada. Não ia conseguir fazer nada com o outro lá. Você sabe que eu sou antigo.


Versão gaúcha:

Rapaz 1: A festa tava ótima. Eu tava lá conversando com ele, a gente tava se entendendo super bem... mas, não tinha como rolar nada. Meu ex-namorado estava na festa e o clima ficou estranho. Lá pelas tantas, não teve jeito, tipo que apresentar um ao outro. Um horror.

Rapaz2: Ai, que chato.

Rapaz1: Pois é... Aí, acabou que não deu em nada. Não ia conseguir fazer nada com o outro lá. Você sabe que eu sou ativo.

E eu já tinha ficado chocada com a declaração de que o cara era antigo... imagine!

3 comentários:

Anônimo disse...

Iiiiiiiiiiiih! Deu sinal de vida!
Legal. Espero que apareçam outras histórias.

Anônimo disse...

ahahahaha...amiga, os textos estão excelentes. Amei!! Quero mais conversa alheia. Beijoconas.

Anônimo disse...

E adorei o tema "Retomando a escrivinhança"...hihihihi.