segunda-feira, 29 de janeiro de 2007

Uma vez pára-raio, sempre pára-raio

"Espelho, espelho meu! Existe alguém mais pára-raio de maluco do que eu?"

Existir, existe, claro. Poderia citar vários nomes aqui e em casos muito mais graves do que os meus. Mas nas últimas semanas o meu pára-raio estava na freqüência 'ônibus'. Tem época que as perseguições acontecem na rua, outras vezes, no trabalho... Eu já tive problemas com praças, sabia?

Embora meu histórico seja longo, me recordo até hoje da bengalada que levei nas costas, na praça de Tiradentes (MG), em plena luz do dia em que eu completava 15 anos, por sentar no banco/dormitório de um mendigo mau-humorado. Oras bodegas, como eu, turista adolescente que visitava com a turma da escola algumas cidades históricas de Minas, na primeira grande farra da minha vida, haveria de saber que aquele banco era cativo?

Nessa mesma viagem, quase fui agredida por outro morador de rua, dessa vez em uma praça em Mariana. Só que à noite. Já mais espertinha, percebi a aproximação raivosa e saí de perto. Não sou o tipo de pessoa que fica traumatizada, mas obviamente parei de freqüentar praças em viagens a cidades pequenas. Vai que a praça é que o pára-raio?

Enfim... poderia citar várias histórias. E muitas outras já devo até ter esquecido. Mas, vamos às que aconteceram recentemente. No domingo retrasado, voltando de ônibus do meu plantão, por volta das 16h, estou eu sentada quietinha no lado da janela passando pela Glória. Realmente não havia bancos totalmente vazios, apenas parcialmente ocupados. Era o caso do meu. Um rapaz estranho (não sei explicar o motivo) entrou e sentou do lado de uma moça, umas duas filas na minha frente, do lado da janela. "Beleza", pensei. "Me livrei".

Que nada. Minutos depois, o rapaz se levantou e adivinhem? Sentou do meu lado, claro! Até aí tudo bem. Achei o cara estranho, mas não era um estranho do tipo "&%$##*&#$##, vou ser assaltada". Era só mesmo "Putz, que cara esquisito".

Não deu outra. O cara parecia que ia dar a luz. E ele não era nem grande e nem gordo. Era bem magrinho, por sinal. Se espalhou de uma tal maneira no banco que eu, que ocupava apenas a parte que me cabia naquele latifúndio - jamais invado a linha divisória do banco apesar do quadril -, estava quase sendo jogada pela janela. Não podia nem dar um empurrão na perna dele. Vai que o maluco achava que eu tava dando mole pra ele. Cruzes.

Me levantei, pedi licença e saí, decidida a descer ali mesmo (já estava na Praia do Flamengo) e pegar outro ônibus. Tava pagando para não me aborrecer. Em pé, andando pelo corredor, percebi que havia vários lugares completamente vazios lá atrás. Aproveitei e sentei. Muito contrariada. Afinal, ele é que devia ter feito isso e me poupado o incômodo. Que gente chata!

Mas é isso mesmo. As coisas mais esquisitas acontecem quando estou indo para ou voltando do trabalho. Hoje de manhã, na minha dificuldade em me manter acordada durante o trajeto, três pessoas dentro do ônibus, cada uma em um banco diferente, e espaço livre de montão, uma senhora de seus 50 anos entra, passa pela roleta e vem sentar direto do meu lado. Ela não esboçou nenhuma dúvida. Veio direto e reto na minha direção. Até olhei para ver se não era nenhuma conhecida. Pô, num ônibus praticamente vazio, a meu ver, só seria compreensível dividir um banco se as pessoas se conhecessem e fossem conversando. O que não era o caso. Confesso que fiquei receosa de a mulher puxar papo. Odeio que puxem papo comigo em transporte ou locais públicos. Pior que isso, só se o ônibus passar por fora no ponto e me deixar plantada esperando outros 20 minutos pelo próximo.

Não puxou papo e uns 10 minutos depois deve ter percebido que havia espaço suficiente e que não era necessário dividir o banco com ninguém. Que coisa!

2 comentários:

Anônimo disse...

Fadinha, eu não entendeo essa sua mania de não querer conversar NUNCA em transportes! Que coisa! Se fosse vez ou outra, tudo bem... até pq normalmente as pessoas não puxam muito papo em ônibus. Isso acontece mais em filas - qualquer fila. E quando você for para a França? Vai ficar 10h fazendo cara de poucos amigos para ninguém ousar tentar passar o tempo batendo papo com você? Coisa esquisita...

Fadua disse...

Gi, se vc atraísse maluco como eu, teria esse tipo de precaução... Para vc ver, mesmo sendo raro, as pessoas teimam em falar comigo em ônibus.